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Qual será a agenda para o ensino superior?

Momentos de mudança de governo geram especulações sobre quais serão as prioridades para as políticas públicas. A equipe do Ministro Camilo Santana é qualificada. As expectativas são boas e obviamente é preciso respeitar o tempo da transição e o aprendizado para o exercício da função, em um ministério relevante como o MEC. Todavia, as primeiras ações já começaram a serem colocadas em prática, como por exemplo, o aumento do piso do magistério.  

Não há dúvida de que a prioridade do MEC será a educação básica. Entretanto, a dúvida que se coloca é qual será a agenda para o ensino superior? O sistema de ensino superior brasileiro é complexo, pelo seu tamanho e diversidade. A definição sobre as prioridades da agenda é uma prerrogativa dos agentes públicos eleitos e nomeados para exercerem uma função de caráter público. Por outo lado, no plano ideal, a definição da agenda de uma forma dialogada, é bem-vinda. Ideologias, preconceitos e egos, podem gerar conflitos e diminuir a possibilidade de consensos. Espero que os responsáveis pela área do ensino superior do MEC estejam abertos para o diálogo e para escutar e considerar propostas que tragam benefícios para o sistema de ensino superior.

Observando a agenda do Ministro Camilo e do Presidente Lula, podemos constatar que haverá a retomada de investimentos nas IES públicas, o que é necessário. Da mesma forma, o MEC tem-se comprometido a aumentar o valor das bolsas de estudo pagas pela Capes e Cnpq. Não há avanço na ciência sem investimentos em pesquisadores. A retomada do Fies também está na pauta do governo, o que indica a possibilidade de crescimento das matrículas no ensino superior. O MEC está em fase de construção da agenda, portanto, cabe às associações representativas do ensino superior, apresentar suas propostas.

Em um contexto de debate e definição da agenda do ensino superior é preciso reconhecer que há entraves burocráticos, há interesses políticos e financeiros, há divergências e convergências, há interesses legítimos e em prol da melhoria da educação, o que são fatores comuns em função da citada complexidade e diversidade do sistema. Caberá o MEC fazer os discernimentos e valorizar sempre o que é republicano, o que é democrático e o que existe de referência nos melhores sistemas de ensino superior e nos estudos sobre os temas em debate.   

O Brasil não pode continuar errando com suas universidades públicas. Elas precisam de cuidado e investimentos, todavia, mudanças em seus modelos de governança e gestão também serão positivas. No que se refere ao setor privado, é preciso considerar a sua relevância para o Brasil. O sistema de ensino superior cresceu, especialmente, em função do setor privado. Sim, há ajustes que precisam ser realizados, com foco na qualidade. Todavia, qualidade não significa burocracia e amarras sem sentido. Tanto no setor público como no privado é preciso criar mecanismos de supervisão e acompanhamento da qualidade, sem controle e normas avaliativas que inibem a inovação.

O ensino superior no Brasil carece de inclusão, de financiamento, de avaliação focada na autoavaliação e na identidade e vocação institucional, de uma regulação que permita inovação e diferenciação do sistema, de menos controle e mais supervisão e acompanhamento dos processos.

Sim, estou otimista. As pessoas nomeadas para os cargos de direção e tomada de decisão no MEC entendem de políticas públicas para o ensino superior. Estamos na expectativa sobre qual será a agenda de políticas públicas, pois por enquanto, temos sinalizações.  O fato é que não podemos ter um sistema de ensino superior dissociado do mundo que estamos vivendo. Basta do “mais do mesmo”, o país merece superar suas amarras na educação.         

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ConsórcioSTHEMBrasilamplia suas conexões

O Consórcio Sthem Brasil assinou um protocolo de cooperação com a Universidade de Coimbra, para criar estratégias para a inovação pedagógica. Participam no mesmo protocolo, Semesp, Tec. de Monterrrey, Arizona State University (ASU) e mais cinco escolas públicas de ensino básico de Portugal.

O protocolo tem como objetivo fomentar processos de inovação pedagógica na Universidade de Coimbra e nas escolas públicas portuguesas. A coordenação é de Coimbra. O projeto envolverá as instituições que são proponentes do protocolo, o que significa que o Consórcio Sthem terá um papel relevante. Há algumas novidades nesse projeto que precisam ser celebradas. Vou comentar três.

A primeira é que o Consórcio Sthem reúne 66 IES do setor público e privado. A Universidade de Coimbra é a única IES não brasileira. A presença de Coimbra nos honra e é algo que sinaliza uma nova perspectiva: as redes precisam criar diferentes conexões. O Sthem quebrou um paradigma ao reunir IES públicas e privadas. Além disso, com a participação da Universidade de Coimbra, já não somos somente IES brasileiras. Talvez agora estejamos quebrando outro paradigma internacional, que é criar conexões com escolas públicas inovadoras de Portugal. Por outro lado, isso é um alerta e gera preocupações. O Sthem precisa urgentemente criar processos colaborativos com escolas públicas brasileiras.

Outro elemento de celebração é próprio protocolo assinado com Coimbra e para o qual o Consórcio foi convidado. Participar de um projeto internacional, com universidades relevantes, como Tec. de Monterrey e ASU mostra que o Consórcio Sthem ganhou maturidade, gerou impacto nas IES consorciadas, formou professores que hoje estão preparados para atuarem em alto nível, em processos de inovação pedagógica. Nossas parceiras internacionais são relevantes, mas hoje podemos caminhar com as “nossas pernas”, pois passamos por um longo processo de aprendizado.

  Uma terceira celebração é o fato de transcendermos o ensino superior, ao criar conexões com o ensino básico. Aliás, em 2023 teremos um projeto com a PADF/Boeing, que será focado em escolas de ensino médio, em comunidades com poucos recursos financeiros. Ou seja, são dois projetos de âmbito internacional do Consórcio Sthem Brasil com escolas públicas.  O atual Ministro da Educação já declarou que a educação básica será sua prioridade. O Consórcio poderá contribuir para a melhoria da educação brasileira, ao mesmo tempo que desenvolve projetos internacionais.

Não tenho dúvida de que o futuro do Consórcio será melhor do que seu passado. Os nossos horizontes estão mais amplos. Temos oito anos de trabalho em rede. Estudamos a ciência do aprendizado, sabemos as trilhas para engajarmos os professores em processos de capacitação, conhecemos os parâmetros de inovação acadêmica, temos gestores nas IES consorciadas comprometidos com a inovação e aprendemos que juntos seremos melhores do que se atuarmos sozinhos. Faço um convite para as IES consorciadas: sejamos mais participantes nas iniciativas do Consórcio Sthem Brasil, pois projetos como o da Universidade de Coimbra e o da PADF ampliam os nossos horizontes. Espero que passemos a elaborar projetos de forma sistêmica com diferentes organizações públicas e privadas.

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Os desafios do novo ministro e o estilo de governança

Há expectativas em relação aos rumos do novo governo. Entrevistas, acordos, declarações e votações no Congresso são objetos de interpretações e geram incertezas acerca de quais serão as políticas públicas adotadas nas diferentes dimensões da gestão pública. 

Na dimensão da educação, a confirmação de Camilo Santana como Ministro da Educação revela que o presidente eleito optou por um político que tem experiência em gestão pública, inclusive na função executiva, como governador. O perfil é bem-vindo em um país que ainda não superou as tensões políticas e que precisa de diálogo e consensos para a elaboração de políticas públicas que efetivamente melhorem a qualidade da educação, com base em indicadores, experiências bem-sucedidas e parâmetros internacionais.

Há desafios no MEC que precisam ser enfrentados. O Ministério tem forte incidência na sociedade, já que suas políticas e investimentos incidem sobre os municípios, sobre os jovens, professores, escolas, sobre as IES e tantas áreas estratégicas para o país, como pesquisa, ciência, tecnologia e geração de conhecimento.

Havia uma expectativa de que a atual governadora do Ceará, Izolda Cela, fosse a ministra, em função de sua trajetória na área da educação. Cela tem experiência na área, com ações e resultados que a tornaram uma opção política e técnica para assumir o MEC. Ela é uma das responsáveis pela melhoria dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), no município de Sobral. Todavia, tudo indica que ela irá assumir a Secretaria Nacional de Educação Básica. A parceria Camilo e Cela, que se estabeleceu no governo do Ceará, poderá se repetir no MEC, o que nos traz esperança de políticas públicas adequadas para a educação básica.

Há a expectativa de um processo de gestão pública mais estável, de construção, implementação e continuidade das políticas públicas. Em qualquer lugar do mundo, mudanças constantes de ministros geram incertezas e descontinuidades das políticas públicas. Espera-se que os ministérios tenham equipes preparadas para exercerem a função, inclusive, com experiência na área de atuação, para errarem menos, para economizarem tempo de aprendizado, a para agilizarem a máquina pública.

Espera-se que a equipe do ministro Camilo Santana tenha um perfil técnico, formada por pessoas com experiências na área de educação e formulação de políticas públicas. Tudo indica que a educação básica será uma das prioridades do novo governo, o que é um posicionamento correto. O país não pode mais continuar a ter deficiência na formação dos jovens. Exames como o IDEB e o PISA constantemente expõem a nossa carência.

Todavia, há prioridades de políticas públicas também na área do ensino superior. É preciso recuperar o orçamento do MEC, que tem diminuído nos últimos anos. Os cortes orçamentários recentes afetaram o pagamento das bolsas de pesquisa para os investigadores dos programas de mestrado e doutorado e o corte de verbas das universidades públicas, por exemplo.  

O Brasil precisa sair das armadilhas das políticas ideológicas e afrontar os problemas reais da educação. No caso do ensino superior é preciso tratar de temas como: financiamento, regulação, avaliação, qualidade, formação dos professores, aprendizado dos estudantes, cooperação entre ensino superior e outros níveis de ensino, enfim, dos temas estruturantes do setor. No âmbito das IES públicas é preciso reconhecer a relevância destas instituições para o país e instigar melhorias em sua governança e gestão. O Plano Nacional de Educação tem que ser retomado de forma articulada. Estamos longe de cumprir as metas do PNE.

Cabe ao MEC assumir a tarefa de coordenar o sistema e estabelecer diretrizes e direcionamentos para definir as prioridades e políticas. Entretanto, o sistema é diversificado e é preciso ponderar sobre os impactos das políticas públicas nos diferentes setores. A construção da agenda, a elaboração e implementação das políticas públicas são realizadas a partir de uma concepção de governança do sistema de ensino superior.

O ideal seria um estilo de governança que crie possibilidades de coprodução de políticas, através de consultas e alianças com os stakeholders.  A convergência é sempre melhor do que a divergência para se evitar tensões, e sua busca não significa que o MEC deixará de exercer as suas funções. Todavia, uma governança de sistema mais participativa tem que se resguardar de interesses escusos, mercadológicos e politiqueiros.

O estilo de governança do sistema de educação e as diretrizes políticas poderão definir os caminhos do ensino superior nos próximos anos. É preciso elaborar propostas que possam colocar o Brasil em um caminho em que a educação aumente a inclusão e a equidade e combata as injustiças sociais. E para isso a governança do sistema deve ser pautada pela supervisão do agente público, por meio de uma regulação que valorize a identidade, a missão institucional e a inovação das instituições de ensino superior, e que impulsione a inclusão com qualidade.

O perfil do futuro ministro demonstra, até o momento, que não há sinais de que as ações do MEC terão uma conotação hierárquica e burocrática, com o estabelecimento de uma série de normas para serem incorporadas pelas IES. É importante a abertura do MEC para a construção de consensos, pois a complexidade do sistema de ensino superior requer um estilo de governança que não seja hierárquico e que considere as boas propostas de políticas públicas elaboradas pelos entes representativos da educação superior brasileira.

Talvez, os primeiros desafios do novo ministro sejam: a) nomear uma equipe qualificada; b) elaborar um plano para a educação com o objetivo de superar os problemas reais; c) construir consensos. Há carências no aprendizado dos estudantes, na valorização da carreira docente, na melhoria da qualidade, na inclusão e acesso à educação e no apego exagerado às convenções, especialmente, do modelo educacional. Há sérios problemas na área da educação do Brasil. Avante!

Fábio Reis é diretor de inovação e redes do Semesp, diretor de inovação acadêmica da Unicesumar, presidente do Consórcio Sthem Brasil, professor do Unisal e pós-doutorando em Políticas Públicas pela Universidade de Coimbra.

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Como definir a agenda para e educação?

Estamos em uma fase de transição política. Quem atua na área de educação, provavelmente, está se perguntando, qual a agenda do governo que assumirá o poder executivo, a partir de janeiro de 2023, na área da educação? O foco do texto não é apontar os temas em discussão, mas apresentar como a agenda pode ser definida. O erro de composição dos grupos de discussão pode gerar visões equivocadas sobre o funcionamento do sistema de educação.

Em entrevista recente para o jornal “O Globo”, Henrique Paim, um dos líderes do grupo de transição, na área da educação, deu pistas sobre a agenda que está por vir: recomposição da aprendizagem dos alunos, perdida durante a pandemia, retoma dos investimentos nas universidades federais, fortalecimento da lei das cotas e avanço da inclusão e diversidade, recomposição das estruturas do MEC e reforço de suas autarquias, como Inep e Capes, entre outros temas. Há outros temas que devem entrar na agenda, por exemplo: alfabetização, formação inicial de professores, aperfeiçoamento do ensino médio.

Os temas apontados são importantes e de fato precisam estar na agenda. Todavia, recomendo que o grupo de transição tenha uma visão estratégica mais ampla e diversificada da educação. A minha hipótese é de que há carência de uma visão sistêmica da área de educação. A ausência efetiva do setor privado na equipe de transição parece não ser a melhor decisão.

Tenho como base para minha afirmação as evidências apontadas em livro publicado em 2014: “Guia de Políticas Públicas: gerenciando o processo”, de Xun Wu, M. Ramesh, Michael Howlett e Sott Fritzen.  O livro é um manual de políticas públicas, que indico para as pessoas que querem compreender como as agendas são elaboradas. Há outras leituras recomendadas, como o artigo de Jeremy Richardson, “New governance or old governance? A policy style perspective”. 

M. Ramesh, um dos autores do “Guia”, defende em suas publicações, um diálogo amplo com os setores representativos da sociedade no processo de construção da agenda de políticas públicas. Estamos vivenciando momentos de incertezas e desconfianças na transição política, o que exige sensibilidade e percepção de que as propostas de políticas públicas deveriam tentar atender os diferentes setores da sociedade. Os consensos podem evitar fragmentações e tensões no âmbito político.

O setor privado representa 76.9% das matrículas na graduação, 84% em cursos de especialização e 31% na pós-graduação stricto sensu. O setor reúne 2.150 IES ou 87.8% do total e 6.2 milhões de alunos. O Semesp é uma das associações representativas do setor privado. Em 2022, publicou a 3º. edição do documento “Diretrizes de Políticas Públicas para o Ensino Superior Brasileiro” com proposta de uma agenda de políticas públicas. O Semesp tem atuado de forma assertiva no debate sobre o tema, inclusive com a elaboração de diferentes pesquisas sobre ensino superior. Há outras associações do setor privado, com projetos e propostas relevantes.

Faço a defesa da participação das associações representativas, no processo de elaboração da agenda de políticas públicas para a educação. O debate, o diálogo e os olhares precisam ser ampliados. Não há uma proposta A ou B que está correta e que precisa ser adotada, embora o agente público tenha que fazer opções e tomar decisões. Os estudiosos de políticas públicas recomendam o conhecimento das múltiplas perspectivas, para que a decisão seja pautada na evidência e na clareza sobre a complexidade do sistema de educação.    

Espero que o novo governo não cometa o erro de construir uma agenda incompleta e que não corresponda a demanda do setor educacional. A resolução de problemas de aprendizagem, de formação de professores, de ampliação do acesso, de atendimento as metas do Plano Nacional de Educação passam pela atuação do setor privado.  

O diálogo ampliado e democrático evitará que tenhamos um sistema de educação organizado no “velho estilo de governança”, em que prevalece a visão de poucos atores e em posturas centralizadas, às vezes ideológicas e focadas na perspectiva daqueles que possuem o poder de decisão.  Isto pode gerar um erro na definição da agenda. O “novo estilo de governança” é utilizado por países que querem ampliar o diálogo e agregar olhares diferenciados. É um estilo mais flexível, dinâmico, participativo e sistêmico, que induz a qualidade.

O objetivo do texto não é criticar a equipe de transição. Estamos iniciando o processo de elaboração da agenda e há propostas em discussão. O objetivo é alertar os responsáveis pela transição de que a agenda de políticas públicas precisa ser elaborada com a participação de atores que atuam na área da educação. Isto é um fator de sucesso, pois constrói consensos e colabora com a melhoria do sistema.

Como professor de História aprendi algo básico, o que deu certo ontem, pode não dar certo hoje ou amanhã.  O momento é de transição e de construção de um projeto, portanto, a melhor atitude seria incluir os setores representativos. Há literatura e evidências sobre os melhores caminhos para se elaborar agendas de políticas públicas. Espero que tenhamos uma agenda representativa e pautada nos princípios do novo estilo de governança.           

Fábio Reis: Pós-Doutorando em Políticas Públicas na Universidade de Coimbra (CEIS 20), Diretor de Inovação e Redes do Semesp, Presidente do Consórcio Sthem Brasil, Secretário Executivo da MataRed Brasil, Colaborador da Faesa na área da inovação acadêmica, membro do Comitê Acadêmico da Cruzeiro do Sul Educacional.  

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Governança do sistema de ensino superior

O Brasil tem mais de 8.5 milhões de estudantes e apenas 18% de jovens com 18 a 24 anos estão matriculados no ensino superior. 75% das matriculas estão no setor privado, porém, há um setor público relevante e imprescindível. Somos um país complexo e com tensões que precisam ser resolvidas. Há polêmicas sobre como deve ser organizada a governança do sistema.


Talvez não tenhamos uma única alternativa de organização. Todavia há uma percepção que pode ser um consenso: o sistema não pode ser centralizado (no ministro e suas secretarias), hierarquizado (com vários poderes paralelos e difusos) e burocrático (cartorial, lento, focado na punição e não no aprendizado institucional).


Recentemente, me tornei um leitor de Gilberto Capano, um italiano estudioso do tema de políticas públicas no ensino superior, da Universidade de Bolonha. Capano é um cientista político e se dedica a compreender o significado, as tipologias, as características e os impactos das políticas públicas na governança dos sistemas.


Burton Clark, outra referência em estudos sobe governança de sistemas, elaborou o que conhecemos como “o triângulo de Clark”. Ele apontou que o sistema pode ter um predomínio do poder estatal, corporativo (docentes e sindicatos) ou de mercado.


Há uma convergência entre Clark e Capano, pois ambos desconfiam de um sistema que tenha como alicerce o mercado educacional, em função dos interesses do capital, dos perigos da comoditização e da possibilidade da diminuição de investimentos, no que é essencial para a educação.


A governança do sistema de ensino superior supõe direcionamento e tomada de decisão por parte do agente público, a partir do diálogo com setores representativos da área educacional e do atendimento das demandas da sociedade. Governar um sistema é um ato político e republicano, de diálogo e tentativas de construção de consensos, em que o interesse público se sobrepõe aos interesses fragmentados.


A tipologia de governança de Capano supõe quatro modelos: a) hierárquico; b) processual; c) autogovernança; d) direcionamento a distância. Capano tem observado que não existem modelos puros e que há uma tendência à hibridização.


No Brasil, poderíamos caminhar para um modelo híbrido de governança do sistema de ensino superior, em que o MEC desburocratiza, descentraliza e cria mais conexões entre as instâncias de decisão, mas mantêm o papel de supervisão e acompanhamento do sistema. Caberia ao MEC estabelecer diretrizes construídas pelo diálogo, não caminhos únicos e longos.


Do ponto de vista da IES, a autonomia não poderia ser um “cheque em branco”. Da mesma forma, os projetos institucionais relevantes precisariam representar mais diversidade, mais valorização da identidade institucional, mais inovação, mais transformação focada na pesquisa relevante (para universidade e para as IES que desejarem) e mais aprendizado dos alunos.


O modelo híbrido de governança não significa hierarquização, tampouco, o estabelecimento de uma série de procedimentos burocráticos. Também não representa um distanciamento do Estado ou permissão de autogovernança para as IES.


A hibridização requer capacidade de governo, portanto, de políticas públicas que geram inclusão, equidade, justiça, qualidade, expansão, financiamento, melhoria da gestão institucional, inovação, empreendedorismo, relacionamento com o setor produtivo, valor e relevância para a educação e retorno do investimento na graduação através de um diploma que garanta a empregabilidade.


Há carência de políticas públicas para o Brasil. Espero que em 2023 possamos ter um sistema de ensino superior pujante, que atenda aos interesses da sociedade e que reconheça o valor e a contribuição do setor privado e, ao mesmo tempo, valorize o setor público, independente de quem estiver no poder. O Brasil precisa de universidades públicas relevantes, bem governadas, inclusivas e de pesquisa, assim como precisa das IES privadas.


As respostas para nossas dúvidas precisam ser buscadas na leitura, na pesquisa e na ciência. Para organizar a governança do sistema de ensino superior do Brasil, sugiro mais debate, mais profissionalismo na governança, mais conhecimento sobre as propostas de estudiosos como Gilberto Capano, Burton Clark, Simon Schwartzman, Joaquin Brunner e outros, mais evidência e conhecimento das boas práticas no mundo acadêmico e menos politização e ideologização na educação.

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Consórcio Sthem Brasil e a Portaria 921

Políticas Públicas induzem mudanças na dinâmica das IES e devem refletir uma conjuntura de demandas da sociedade e de tendências do ensino superior. A Portaria 921, de 13/10/22, dispõe sobre as diretrizes para elaboração dos instrumentos de avaliação de IES.

Ela é bem-vinda, porque indica que os novos instrumentos serão elaborados com base em indicadores de qualidade que valorizam a inovação, o empreendedorismo, as metodologias ativas, a aprendizagem, os novos formatos de avaliação, a diversidade e o projeto institucional.

O Consórcio Sthem Brasil, formado por 66 IES públicas e privadas, nasceu em 2013 com a missão de ser uma rede de inovação acadêmica, que investe na capacitação continua dos professores. Para nós, os docentes precisam ser especialistas em metodologias ativas, em diferentes formatos de avaliação, em trabalhos interdisciplinares, em uso de tecnologias educacionais, em ensino híbrido e em atividades que fomentam o empreendedorismo. 

O Consórcio Sthem também foca nos gestores de IES, porque são eles os responsáveis por conduzir a transformação institucional. São eles que precisam investir tempo em reflexão, planejamento e recursos financeiros, para fomentar a inovação e o empreendedorismo. São eles os responsáveis pela mudança cultural da IES.

A Portaria 921 indica que os instrumentos de avaliação devem privilegiar a cultura empreendedora e inovadora da IES. A Portaria pode induzir as IES a transcenderem sua cultura convencional, marcada por uma concepção de educação atemporal, portanto, obsoleta.

Tenho uma hipótese que pode gerar polêmica, mas é preciso instigar o debate: uma IES que tem o conceito 5, em uma avaliação in loco do MEC, não é necessariamente uma instituição inovadora e empreendedora, que responde aos desafios contemporâneos da sociedade. Muitas IES, não mudam, porque possuem bons conceitos no MEC e se autodenominam como as melhores.

Meus caros, os instrumentos atuais de avaliação já não são compatíveis com a atualidade. As novas gerações de jovens encaram a aprendizagem de uma forma diferente e possuem comportamentos e expectativas de aprendizagem que exigem novos parâmetros de avaliação institucional. Muitas instituições possuem conceito 5 na avaliação com base nos instrumentos e diretrizes atuais do MEC, que são legítimos e dão reconhecimento público, mas que precisam ser repensados visando ao aprimoramento para essas novas realidades que mudaram exponencialmente nos últimos anos. Conheço um Reitor que tem uma frase interessante: “vamos fazer os bons projetos e consequentemente atender até o MEC”. A perspectiva para ele é: atender o MEC, sim. Todavia, é preciso ir além, para que nossas IES tenham valor e relevância.           

A SERES/MEC ao sinalizar que irá, por meio dos instrumentos de avaliação, instigar a inovação acadêmica, a cultura empreendedora e as metodologias ativas, entre outros fatores, precisa ser apoiada e viabilizar a participação de redes como o Sthem Brasil no processo de elaboração dos novos instrumentos. 

O Consórcio Sthem Brasil nasceu para criar um movimento de inovação nas IES associadas, portanto, a Portaria, responde a uma proposta que marca a origem da nossa rede, em 2013. Estamos preparados para responder aos novos instrumentos e sermos reconhecidos pelo poder público e pela sociedade, como referência em inovação. É preciso chamar a atenção para a “Rede de Autoavaliação do Semesp”, que durante 16 meses trabalhou para elaborar um instrumento de autoavaliação, que responde aos desafios contemporâneos da sociedade e induz à inovação e ao empreendedorismo. Portanto, o próprio Semesp e as IES da Rede estão sintonizadas a já se adiantarem aos critérios do novo instrumento de avaliação que a SERES deverá propor para o sistema de ensino superior.

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Realcup revigorada

A Rede de Associações Latino-amaricanas e Caribenhas de Universidades Privadas (Realcup) nasceu em 2016. Hoje é composta por 11 associações que representam 11 países, mais de 850 IES e 5.5 milhões de estudantes.  

As primeiras reuniões foram caracterizadas por uma discussão sobre seus objetivos. A elaboração do estatuto ocupou um bom tempo da agenda. O cuidado com a organização da Rede foi necessário, para o fortalecimento e consistência de seus objrtivos.

A Realcup tem entre seus propósitos institucionais fortalecer a presença do ensino superior privado na América Latina e instigar as IES associadas a investirem na qualidade, fortalecerem a relevância e o valor do ensino superior privado. Há propósitos que incidem diretamente nas IES, pois beneficiam as associadas.

O projeto Enlazar foi criado pela Realcup com o objetivo instigar a internacionalização entre as IES das associações que integram a Rede. Já temos mais de 300 IES inscritas. Apenas do Brasil são aproximadamente 60. A Realcup irá conectar IES que possuem os mesmos objetivos de internacionalização, ao mesmo tempo, o esforço de internacionalização (financeiro e tempo) de cada IES irá diminuir de forma significativa.

Há outros projetos em andamento, como o fortalecimento de redes temáticas de boas práticas. A Realcup quer conectar diversas e diferentes IES da América Latina em temas como ODS, inovação acadêmica, ensino híbrido, e tantos outros.

A Realcup também fará estudos sobre o impacto social do ensino superior privado na América Latina, com apoio do Instituto Semesp. Haverá também um grupo de trabalho sobre políticas públicas.

Estou em Buenos Aires, em uma reunião da Rede, com uma delegação de 10 brasileiros. O Conselho de Reitores das Universidades Privadas da Argentina está sediando o evento. Há 155 pessoas no evento e claramente há um ambiente de colaboração e de networking. É perceptível o desejo de cooperar, de trocar informações e de fortalecer a Realcup.

A professora Lúcia Teixeira, presidente do Semesp é a 2ª. vice-presidente da Realcup. O Semesp tem atuado de forma assertiva na Rede, pois acreditamos na Realcup e entendemos que há muitas oportunidades para ampliar os benefícios a nossas IES associadas. O Semesp faz tempo deixou de ser apenas um sindicato do Estado de São Paulo e se tornou uma associação nacional e agora está integrado a uma Rede Latino Americana, que conecta as IES brasileiras a diversas IES latinas.

A Realcup está revigorada, ao superar as discussões sobre estatuto, organização e funcionamento. É unânime entre os dirigentes das 11 associações o fato de termos oportunidades de crescimento e termos um futuro relevante. A Rede desenhou um plano de trabalho, instituiu metas para os próximos anos e com o encontro de Buenos Aires, definitivamente, fortaleceu o vínculo entre as associações e, principalmente, entre as pessoas. Os vínculos de amizade se fortaleceram. Os dirigentes da Realcup avançaram na consolidação da cultura da colaboração e sabem que juntos podemos ser mais fortes.

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É sobre o Fnesp, sim! (parte 1)

O Fnesp se consolidou como o encontro de referência dos dirigentes do ensino superior do Brasil, no setor privado. Há uma presença predominante de gestores desse setor, mas também, do setor público, além de empresas da área educacional e especialistas em ensino superior.

O evento é concebido de uma forma coletiva. Há áreas estratégicas, tais como: curadoria, infraestrutura, marketing, contratos, conceito visual, produção, comunicação com o público, relacionamento com a imprensa e gestão dos processos. Detalhes como circulação das pessoas no evento, tonalidade das cores utilizadas no material de divulgação, alimentação, organização e venda dos stands são cuidadosamente pensados.

Como todo grande evento, há erros, que na maioria dos casos são imperceptíveis para o público, mas no “final do dia”, sabemos que acertamos mais do que erramos e que é preciso melhorar sempre.  

A organização coletiva do Fnesp envolve toda a equipe do nosso escritório. Nos dias que antecedem o evento, deixamos de lado a divisão convencional dos setores do Semesp (marketing, financeiro, administrativa, jurídico, redes, universidade corporativa, relacionamento, TI, manutenção e limpeza) para nos constituirmos em um único setor e passamos a ser todos Fnesp. Todos se tornam heróis e importantes para o evento.

Nós assumimos o lema dos heróis do filme Os três Mosqueteiros: “um por todos e todos por um”. Óbvio que, eventualmente, há desavenças na organização do evento. Às vezes temos perspectivas diferentes, todavia, predomina o espírito coletivo e o desejo de realizarmos o melhor evento possível em termos de “conteúdo”, para inspirar os participantes a realizarem transformações institucionais que fortalecem a qualidade e a inovação. Para nós, o Fnesp precisa gerar novos aprendizados. Desejamos também que os participantes tenham “experiências inesquecíveis”, por isso, cuidamos da infraestrutura e do ambiente de convivência no espaço do Fnesp. É elaborado um conceito que procura estimular experiências de convivência social, networking e desejo de estar no local do evento.

A equipe Semesp se sente compromissada com a organização do Fnesp, porque os participantes nos estimulam. Vocês que estiveram no 24º. Fnesp são os nossos protagonistas. Durante a organização do evento, nós, do Semesp, pensamos em vocês que investem tempo e recursos financeiros para estarem conosco. A nossa satisfação e alegria está na percepção de que as palestras geram aprendizados ou novos olhares sobre os temas abordados. Ficamos felizes quando percebemos ou ouvimos os elogios sobre a organização do espaço onde o Fnesp é realizado. 

O estilo de liderança no processo de organização do Fnesp explica por que o evento se tornou referência do setor privado. A equipe do escritório reconhece que Rodrigo Capelato é o responsável por um estilo de liderança que nos motiva. É ele que nos dá energia para enfrentarmos os desafios do Fnesp.

A presidente do Semesp, professora Lúcia Teixeira, acompanha a organização, faz sugestões, valida os conceitos que elaboramos e está sempre conosco. A diretoria do Semesp (nosso board) sempre presente, nos orienta com diretrizes e sugestões.    

O segredo do sucesso do Fnesp é reunir uma equipe talentosa e compromissada, que é estimulada a criar e inovar. O Fórum nasce de estudo, de leitura e de diálogos com especialistas. O Fnesp se caracteriza por ser um evento que quer inovar, apresentar boas práticas e apontar o que está por vir. É um evento que discute as dores do presente e suas possíveis soluções, que fala sobre políticas públicas e pensa o Brasil. O Fnesp não é pensado para ser um evento burocrático, formal, pesado e cansativo.

Por fim, é preciso fazer referência sobre o tema “É sobre o estudante, sim!”. Espero que definitivamente nossas IES passem a colocar o estudante no centro das atenções, o que significa uma série de atitudes, que vão desde o aperfeiçoamento ou revisão dos modelos acadêmicos ao cuidado com a saúde mental e com a jornada do estudante e seu processo de aprendizado. É preciso que nossas IES se tornem especialistas em jovens.

Quero agradecer a todos os mais de 1.000 participantes que estiveram conosco nos dias 29 e 30 de setembro. Quero agradecer também aos patrocinadores, que ajudam a viabilizar o Fnesp. A presença significativa dos patrocinadores fortalece o nosso evento.

As opiniões emitidas aqui representam a minha percepção do evento. Sou um dos integrantes da equipe. Se o evento foi um sucesso é porque temos gente talentosa e um estilo de liderança que permite o exercício da criatividade e o empoderamento das pessoas.

Grato Diretoria do Semesp.

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É sobre o estudante, sim.

Para que servem as escolas? A resposta óbvia é: para formar pessoas. Escolas rementem à educação e a educadores. Através da educação, um país terá pessoas com atitude cidadã, compromissadas com o desenvolvimento sustentável e social e preparadas para exercerem suas atividades profissionais.

Essa consideração nos remete a uma série de ponderações, entre elas: uma escola não pode descuidar do aprendizado dos seus estudantes. É por isso que o Fnesp em 2023 irá tratar do tema do engajamento, das experiências memoráveis, das convivências sociais, da saúde mental, do modelo acadêmico e de outros temas que rementem ao cuidado com os estudantes.

O Semesp é compromissado com a educação e quer estimular as escolas a colocarem o estudante em primeiro lugar. Para nós, do Semesp, as estratégias e investimentos precisam responder a seguinte pergunta: estamos priorizando o aprendizado do estudante.

Às vezes achamos que basta uma escola ter um bom gestor para que essa escola resolva os seus problemas de educação ou basta uma tecnologia, para que ela consiga manter seus estudantes engajados e fieis à instituição. Um bom gestor tem de entender de educação para gerar os melhores resultados para a escola. As boas tecnologias são ferramentas e apoio, para bons modelos acadêmicos e administrativos. O que pode resolver “os problemas” da escola é a forma como ela valoriza estudantes e os educadores e como elabora e implementa o modelo acadêmico.

Ao priorizar o estudante, uma escola cumpre a sua missão educativa. Um gestor tem que cumprir metas, gerar resultados, inclusive financeiros, mas a prioridade terá que ser sempre o aprendizado dos estudantes.

O Semesp acredita que uma escola se faz com bons educadores.  São eles que fazem o coração da escola pulsar. Não basta uma escola ter um bom gestor, se os educadores não são estimulados a atuarem conforme os princípios do modelo acadêmico e não recebem investimento para a sua formação contínua.   

O Fnesp, ao tratar do tema do estudante, convida todas as escolas a se manterem em um diálogo permanente sobre aprendizagem, engajamento e vivências memoráveis dos alunos. Se não cuidarmos deles com atitude de educadores, eles não vão mais se importar com a gente. Se não compreendermos o que eles pensam, desejam ou querem, provavelmente, nos distanciaremos deles. Um bom gestor de escola é também um conhecedor de do comportamento dos estudantes.

Faço o convite para que participem e acompanhem as discussões no Fnesp 2023. O Semesp cumpre sua função ao apontar caminhos para que as escolas sejam mais competitivas e relevantes para a sociedade.  

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MeteRed TI: porque as IES precisam aderir?

A MetaRed ainda não é uma rede consolidada no Brasil. Há alguns fatores que explicam a sua não consolidação: a) a informalidade, pois não há procedimentos formais de adesão e permanência na rede; b) os resultados da rede ainda não foram percebidos e institucionalizados nas IES; c) é uma rede jovem, que se iniciou em outubro de 2019. A pandemia e a rotatividade dos gestores de TI das IES dificultaram a percepção do impacto e do valor da MeteRed. Todavia, não tenho dúvida, a MetaRed tem um futuro próspero, relevante e de incidência nas IES que aderirem a ela. Por que afirmo isso?

a) é uma rede de tecnologia, de transformação digital, de fortalecimento da área de TI nas IES. Afirmo: uma IES terá dificuldade de ser competitiva se não priorizar a área de TI e torná-la estratégica;

b) é um movimento internacional, que integra 11 países e mais de 900 IES. Há oportunidades de cooperação, de diálogo com IES que possuem problemas semelhantes, ou melhor, com IES que possuem boas práticas de gestão, soluções tecnológicas e outras práticas qualificadas da área de TI;

c) é um movimento que conta com o suporte do Santander Universidades, que “abriu as portas” para dialogarmos com a União Europeia, com a Unesco, com a OCDE, com a OEI e tantas organizações internacionais;

d) é uma rede que proporciona formação e aprendizado, que investe nas pessoas que compõem os grupos de trabalho, com cursos internacionais, em universidades relevantes.

Há o que melhorar, sim, sem dúvida, mas há muita oportunidade de crescimento e de impacto efetivo nas IES que participam da MetaRed. Dificilmente uma IES sozinha conseguirá soluções de cibersegurança, sozinha. A MetaRed disponibiliza um Kit com propostas de ações para qualificar a segurança dos ambientes tecnológicos da instituição. Uma IES isolada terá dificuldade de tornar a área de TI estratégica, com um modelo de gestão compatível com os desafios contemporâneos. A MetaRed tem pessoas qualificadas em gestão de TI, realiza pesquisa comparadas e tem indicadores de boa governança. Da mesma forma, uma IES isolada terá muito trabalho para mapear as tecnologias educacionais e de criar um bom relacionamento com fornecedores mundiais de tecnologia. A MetaRed possui grupos de trabalhos específicos para estes temas.

Muitas redes de IES já possuem grupos de trabalhos na área de TI e podem cometer um erro ao fazer a seguinte interpretação: “já estamos trabalhando em uma rede de TI com XX IES, portanto, não preciso participar da MetaRed”. Onde está o erro? Na incompreensão do seu poder de impacto, pois é uma rede internacional, envolvida com organizações relevantes, como as citadas acima, que possui mais de 50 grupos de trabalho. Portanto, a MetaRed transcende as diferentes redes de IES. O diálogo, as soluções, as boas práticas e as pesquisas possuem um olhar e um impacto mais amplo e são reconhecidas por organizações internacionais.  

A MetaRed Brasil tem como presidente a professora Lúcia Teixeira, que também preside a Unisanta e o Semesp. Eu sou o secretário executivo. Há quatro grupos de trabalho: a) Cibersegurança, coordenado por Domingos Sávio, da Unit; b) Tecnologias educacionais, coordenado por Marco Antônio, da Unicamp; c) Governança e indicadores de TI, coordenado por Marcelo Bardi, da FAE; d) Relacionamento com os fornecedores, coordenado por Ewerton Nunes, da FAESA. Estamos integrados com todos os países que possuem o projeto MetaRed. Somos coordenados pela MetaRed Global, com sede na Espanha.

Há desvantagem em participar da MetaRed? Gostaria de ouvir as respostas dos leitores.  A MetaRed é uma rede em construção, que irá se consolidar com a participação efetiva de todos os envolvidos. Não há qualquer tipo de taxa financeira para participar. Há muitas IES envolvidas, que buscam qualificar a área de TI. Há suporte internacional, há soluções de TI que já estão validadas. Então, há muitas vantagens. Faço o convite, participe da MetaRed.

Nós do Semesp acreditamos na MetaRed, dedicamos nosso tempo, nossa experiência em redes, nossa capacidade de conectar pessoas e envolvemos a energia da nossa equipe, no projeto. Espero, caro leitor, que você participe das nossas agendas e convide sua IES a se integrar à nossa rede. Se você leitor é um gestor de IES, esteja conosco. Escreva para redes@semesp.org.br. Agradeço à Universia Santander por ter dado origem a este projeto. O nosso futuro será mais brilhante que o nosso passado. (o texto é uma reflexão sobre a MetaRed TI Brasil)