Aprendizagem Ativa

Fábio José Garcia dos Reis

Nos últimos anos, o tema da aprendizagem ativa tem despertado interesse nos gestores das instituições de educação superior (IES). Ela é vista como a alternativa para solucionar os problemas de aprendizagem dos estudantes. 

A aprendizagem ativa não é uma invenção recente ou um processo em que “a roda foi reinventada” ou que “representa a descoberta de algo extremamente inovador”. Basta reler Paulo Freire, Jean Piaget, John Dewey, Demerval Saviani, Pedro Demo, Marcos Masetto, entre outros, e ela aí se apresenta.

Por outro lado, a aprendizagem ativa está permitindo que as IES inovem em seus processos de ensino e aprendizagem, mesmo que tardiamente. A inovação é entendida, aqui, como melhoria, aperfeiçoamento, reorganização de projetos pedagógicos, foco na interdisciplinaridade, revisão dos currículos e aprendizagem ativa. 

Já declarei várias vezes que o tema me encanta. Tornei-me um gestor de IES que acredita na aprendizagem ativa. Apresento duas definições que se complementam. A primeira inclui o tema das metodologias e foi elaborada pelo Núcleo de Assessoria Pedagógica (NAP) e pelo Laboratório de Metodologias Inovadoras (LMI), do UNISAL/Lorena. Para o NAP e o LMI, as “metodologias ativas de aprendizagem são aquelas capazes de levar à autonomia do discente e ao autogerenciamento e corresponsabilidade pelo seu próprio processo de formação”. A discussão do tema pode ser encontrada no link http://www.labmi.com.br/pesquisas-e-resultados/pesquisa-de-metodologias-e-tecnologias-ativas/.

A segunda definição é de Michael Prince e pode ser encontrada no link http://www4.ncsu.edu/unity/lockers/users/f/felder/public/Papers/Prince_AL.pdf. Para ele “active learning is generally defined as any instructional method that engages students in the learning process”. 

As IES que pretendem implementar aprendizagem ativa precisam assumir o desafio de instituírem processos de mudanças na cultura institucional, especialmente, na área acadêmica. As definições fazem referência à autonomia dos discentes, autogerenciamento, corresponsabilidade e engajamento dos estudantes em sua aprendizagem. Esses temas não são comuns no cotidiano das IES e requerem uma série de outras mudanças na atitude dos professores, na concepção de avaliação, na infraestrutura e na capacidade da IES criar vínculos entre ensino, aprendizagem e tecnologia. 

As metodologias são instrumentos para que a aprendizagem ativa tenha real impacto na dinâmica acadêmica da IES. As metodologias supõem estruturação do processo de ensino e de aprendizagem, o que pode facilitar o trabalho do docente. 

A aprendizagem ativa e as metodologias não resolvem todos os problemas da educação e da carência dos estudantes se sua implementação não for muito bem planejada. Por outro lado, a aprendizagem ativa, com métodos bem estruturados (Peer Instruction, TBL, PBL, entre outros) e uso adequado da tecnologia, pode trazer resultados surpreendentes para a IES. 

Estudantes engajados, professores estimulados e mediadores do aprendizado, tecnologia disponível, infraestrutura adequada e planejamento formam um mix de fatores que alavancam a aprendizagem ativa, além disso, contribuem com a diminuição da evasão, melhoram os resultados acadêmicos de aprendizagem e formam pessoas que possuem competências que interessam aos empregadores. 

Não acredito que as IES que mantiverem modelos de ensino estruturados em dinâmicas convencionais (professores como centro do conhecimento, “palestrantes” que falam durante a aula e alunos sentados em fileiras, anotando o que está na lousa e o que está ouvindo do professor) possam engajar seus estudantes e melhorar seu aprendizado.

Obviamente, há resistências dos professores, dos estudantes e de gestores, no que se refere à inovação e à aprendizagem ativa. A resiliência nos processos de mudança é o segredo do sucesso. Há relatos de IES que após dois ou três anos estão alcançando bons resultados acadêmicos.

As instituições de ensino são organizações resistentes à transformação dos rituais acadêmicos, mas eu acredito que os gestores que  investirem na inovação acadêmica, via aprendizagem ativa, irão construir instituições mais perenes e competitivas no século XXI.

Planejamento, vontade de assumir riscos, diálogo com o corpo docente e discente, capacidade de reorganizar o projeto acadêmico, assertividade, cooperação nacional e internacional e formação de redes para a troca de experiência e líderes engajados são alguns dos ingredientes para que a IES tenha sucesso com a implementação dos processos de aprendizagem ativa.

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