A Conferência Nacional de Educação Superior reuniu-se em Brasília entre os dias 28 de março e 1 de abril. O objetivo foi apresentar um conjunto de propostas para compor o Plano Nacional de Educação (2011-2020). Participaram aproximadamente 40 organizações que, de modo geral, estão alinhadas às diretrizes do MEC. A iniciativa privada não participou, mesmo representando 75% das matriculas. Dificilmente um Plano terá sucesso se as associações representativas do setor educacional não participarem dos processos que definem as diretrizes educacionais. Novamente o MEC erra em sua estratégia ao financiar uma conferência em que os interesses políticos e as propostas anti iniciativa privada predominaram.

Seminário Internacional: Novas dinâmicas da educação superior

O UNISAL, a Faculdade de Roseira e o SEMESP promoveram entre os dias 6 e 7 de abril o seminário internacional “Novas dinâmicas da educação superior: empregabilidade, empreendedorismo, competitividade e inovação”. O seminário contou com a participação dos norte-anericanos Liz Reisberg, do Boston College, Tatiana Melguzio e Jonathan Mathis, da Universidade do Sul da Califórnia, dos espanhóis José Joaquin Mira e José Maria Gras da Universidade Miguel Hernadez, e do chileno kiyoshi Mandiola, da Universidade San Sebastian.

Lino Rampazzo, professor do UNISAL, escreve sobre a possibilidade da universidade ser especializada por campo do saber e aberta aos diferentes saberes. Essa abertura é prevista na LDB. Essa possibilidade é um dos grandes desafios contemporâneos.

Os gestores sabem que as estruturas curriculares fragmentadas estão superadas. Nossos cursos de graduação e pós-graduação, de modo geral, não promovem o diálogo interdisciplinar. É comum os gestores discursarem e escreverem sobre a necessidade de integrar os saberes, mas a prática da integração não se consolida.

O jornal “The Chronicle of Higher Education” publicou no dia 18 de abril um artigo sobre estratégias de internacionalização das universidades da América Latina com o objetivo de formar capital humano com potencial de contribuir com a produção do conhecimento e o desenvolvimento nacional. O artigo de Marion Lloyd mostra a estratégia do Chile. A estratégia do governo chileno é atingir, em 2018, o número de 30 mil estudantes cursando pós- graduação no exterior. Em 2008, foram 5 mil estudantes. O governo chileno reconhece que é necessário investir em programas de formação do capital humano com alto potencial para contribuir com o crescimento econômico.

O IMHE da OECD publica mensalmente um informativo sobre educação superior. Recomendo que os interessados pelo tema do “management” na educação superior acessem periodicamente o site www.oecd.org/edu/imhe para buscar informações contemporâneas sobre a educação superior. O IMHE faz constantes pesquisas sobre educação superior, publica relatórios e livros e promove eventos internacionais.

O UNISAL em conjunto com a Faculdade de Roseira realizam entre os dias 06 e 07 de abril um seminário internacional com o objetivo de discutir a relação entre IES e mercado, além de temas como empregabilidade, empreendedorismo e competitividade. Foram convidados especialistas em educação superior que trabalham com esses temas, que conhecem práticas empreendedoras de IES e que se dedicam ao estudo da competitividade e da relação entre IES e empregadores. O seminário irá abordar temas pouco discutidos pelos gestores educacionais. Entre os conferencistas estão especialistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC), do Boston College (BC) e da Universidade Miguel Hernandez (UMH) da Espanha.

São poucos os centros de estudos mantidos por universidades que se dedicam ao estudo da educação superior. A Universidade de São Paulo possui o Núcleo de Pesquisa sobre o Ensino Superior (NUPES), a Universidade Federal de Minas Gerais o Centro de Estudos sobre Ensino Superior e Políticas Públicas, na Universidade de Campinas e na Universidade Federal do Rio de Janeiro há pesquisadores sobre o tema da educação superior, porém, os centros ou as iniciativas de pequenos grupos não são, no momento, iniciativas de impacto acadêmico. Além disso, não proporcionam pesquisas e discussões de grande incidência no ambiente da educação superior no Brasil.

Já escrevi outros textos sobre o papel do Estado na educação superior. Volto ao assunto após iniciar o programa Visiting Scholar no Center for International Higher Education. O modelo descentralizado dos Estados Unidos, a capacidade competitiva e a eficiência das universidades norte-americanas podem servir de referência para o nosso sistema educacional.
Escrevi um texto sobre o papel do Estado e a dinâmica da educação superior.

Acesse o texto aqui.

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