Razões que tornam o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) a número 1, no ranking do Times Higher Education

Caltech superou a Universidade de Harvard e MIT, no ranking 2013/2014, segundo a revista Times Higher Education. O editor do Times, Phil Baty fez uma boa análise sobre a competitividade da instituição. O que torna Caltech, uma instituição competitiva?

É notável que a instituição recebe investimentos via fundraising, que há pesquisadores com prêmios Nobel, que há laboratórios bem equipados e que a instituição, em função de seu processo de seleção, recebe ingressantes qualificados, além disso, a instituição tem um caráter internacional.


Mas o que Caltech pode ensinar-nos? Aponto cinco fatores que podem servir de lição para os gestores brasileiros

1- Caltech é uma instituição de pequeno porte focada na área de ciências e engenharias. Há aproximadamente 2.200 estudantes.  Na realidade brasileira uma IES de pequeno porte tem dificuldade de ser competitiva e manter-se sustentável financeiramente. A alternativa para manter-se pequena é cobrar mensalidades altas e ser uma IES de nicho. O que está em discussão nesse caso é o foco. Uma IES que cresce de maneira exagerada pode ter dificuldade de manter bons índices de qualidade e investimentos condizentes, em todos os setores. Nem sempre o número de estudantes significa alta rentabilidade. Perder o foco e crescer de forma desorganizada pode ser um fator que dificulta os resultados qualitativos e quantitativos.

2- Caltech tem uma gestão pouco burocrática em suas decisões de governo. Segundo o Times, a gestão é horizontal e preza pela agilidade dos processos e pelo bom planejamento. A flexibilidade permite maior liberdade para as decisões nos setores acadêmicos e administrativos. Os estudos demonstram que líderes dialogam com seus times conseguem os melhores resultados. No Brasil, as decisões, de modo geral, são lentas, burocráticas, pouco profissionais e muitas vezes marcadas pelos interesses individuais e pelas disputas pelo poder.

3- Caltech cuida da contratação e da capacitação de seus professores. Os processos de incorporação dos novos docentes são cuidadosos. As pessoas alinhadas com a identidade da instituição são valorizadas. Da mesma forma, Caltech cria condições de investir na capacitação continuada de seus professores, instigando a participação em eventos científicos e no fortalecimento do network. No Brasil, de modo geral, não cuidamos da contratação dos professores. Em um cenário de avanço do mercado da educação, o investimento em professor não é prioridade. Caltech faz o caminho inverso, pois cuida da captação e retenção de talentos.

4- Caltech valoriza a interdisciplinaridade. O editor da revista Times indica que, nos almoços e nos cafés, é comum os professores trocarem informações sobre seus projetos e atividades acadêmicas.  A interdisciplinaridade está presente nos cursos e entre os cursos. Professores procuram estruturar projetos em comum e romper a barreira do isolamento da fragmentação das disciplinas. No Brasil, pouco instigamos o diálogo entre os professores. A interdisciplinaridade, de modo geral,  é mais um desejo, do que uma realidade. Ainda não temos um postura que integra as atividades acadêmicas. Nossos professores pouco dialogam, portanto, a interdisciplinaridade acontece em iniciativas de alguns coordenadores de curso e no engajamento de professores, mas não é algo institucionalizado.

5- Caltech instiga projetos de pesquisa que interessam ao mundo real e aos empregadores. As pesquisas nascem das demandas da sociedade. Os professores de Caltech procuram entender as necessidades e os interesses do setor produtivo. Não se faz pesquisa que não traga inovação a uma demanda de uma organização pública ou privada. Isso não significa que a instituição está seduzida pelo mercado ou é pragmática. Significa que Caltech quer resolver problemas da sociedade. Por outro lado, no Brasil, a pesquisa acadêmica é volumosa, mas é preciso avaliar o real impacto da pesquisa e a contribuição para o país.

Nós podemos aprender com as melhores instituições do mundo. Sair da zona do conforto requer estudo, network, vontade de “fazer diferente” e combater o ensino pasteurizado. As melhores instituições do mundo fazem coisas que são simples, mas de forma muito qualificada.

Desenhar o foco e saber o impacto do crescimento para a qualidade, ter um modelo de gestão ágil e pouco burocrático, cuidar da captação de bons professores, fortalecer a interdisciplinaridade, a inovação acadêmica e manter vínculo com o setor produtivo são atitudes que nossas IES podem assumir de forma estratégica. O segredo está em sair do lugar comum e agir. 

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