O que faz uma escola ser incrível?

Fábio José Garcia dos Reis

Recebi recentemente um link de Douglas Rodrigues, com um texto sobre “As 11 escolas mais incríveis do mundo” (http://hypescience.com/escolas-mais-incriveis-do-mundo/). Doouglas é auxiliar da coordenação dos cursos de Pedagogia e Matemática, do UNISAL/Lorena. Sugiro a leitura do texto, para que percebam que há experiências inovadoras que rompem com a escola tradicional.

Douglas é uma das pessoas que sempre me envia links com textos sobre inovação acadêmica. Às vezes ele comenta no e-mail, “Fábio, isso é muito interessante”, “olha que legal”... É bom receber os e-mails dele, pois reforça minha convicção de que há pessoas que acreditam que é possível repensar a educação.


Não sei se é radical afirmar que, de modo geral, nossas escolas estão pouco sintonizadas com as demandas da sociedade e com as competências exigidas pelos empregadores. As IES pouco valorizam a criatividade, o pensar de forma crítica, o trabalho em equipes, a cooperação efetiva com os empregadores, o rompimento da fragmentação das disciplinas, o aprendizado de temas significativos para os estudantes, o aprendizado por problemas ou projetos, o uso de tecnologia e as metodologias ativas.

As IES que não repensarem o modelo acadêmico e focarem na atividade fim (formação efetiva dos estudantes para a vida real), provavelmente serão pouco competitivas. Algumas perguntas que os gestores precisam responder são: O modelo de ensino da minha IES está sintonizado com as demandas do século XXI? Como os estudantes aprendem? O que entendo sobre o processos de inovação acadêmica?

As 11 escolas mais incríveis do mundo entendem que não se pode matar a criatividade e que a sociedade espera que as instituições de ensino formem pessoas empreendedoras e criativas. Entre as 11 escolas, o texto demonstra a experiência da Vittra:

“Nessa escola sueca, os alunos agem de forma independente em seus laptops em qualquer lugar que lhes seja confortável e conveniente. Com 30 escolas ao redor do país, o método elimina totalmente as salas de aula. Os alunos são livres para trabalhar no que quiserem, sendo que há opções de trabalhos em grupo e móveis orgânicos conversacionais que permitem que as crianças interajam umas com as outras”.

Conheço pessoas que ao ler o relato acima vão pensar – “lá vem o Fábio Reis com seus sonhos, pois o Brasil não é a Suécia”.  Sim, a nossa realidade é outra, mas o que coloco em discussão é o nosso modelo de ensino.

Nossa sala de aula é a mesma há séculos. As carteiras ficam enfileiradas e um aluno fica atrás do outro. A dinâmica da aula também pouco mudou. O professor fala e o estudante “presta atenção” ou anota as ideias do professor. O currículo também pouco mudou. É formado por um conjunto de disciplinas fragmentadas, pois os professores pouco dialogam.

O estudante passa o tempo fora das instituições de ensino no facebook, no whatsaap, no google, jogando games ou procurando um aplicativo interessante. Quando ele chega à escola, não encontra nada disso. A escola não usa a tecnologia a seu favor, muitas vezes, ao contrário.

Portanto, ao ficar encantado com as 11 escolas incríveis, penso na necessidade de rever o modelo de sala de aula. Não acredito que a sala de aula convencional é o modelo ideal de aprendizado. Acredito que precisamos começar a quebrar as paredes. Há outros espaços de aprendizado, inclusive espaços online. Não acredito em que as melhores escolas são necessariamente aquelas que os alunos estão na sala de aula em todos os dias da semana. Acredito que se pode fazer algo híbrido. Não acredito na fragmentação das disciplinas. Acredito na interdisciplinaridade. Não acredito que a escola deve definir integralmente os temas e conteúdos. Acredito que o estudante pode ser agente de seu aprendizado.

Nas 11 experiências apresentadas pelo textos, as escolas fizeram aparentemente coisas simples, como por exemplo:  incentivaram o uso da tecnologia, quebraram paredes, valorizaram a cidadania, instigaram o aprendizado de temas relevantes para a vida, respeitaram a individualidade, formaram líderes, instigaram a curiosidade, a criatividade e a discussão de temas sobre direitos humanos.
Não é uma questão de estar na Suécia, na Dinamarca, na Coréia do Sul ou no Brasil. É uma questão de política educacional, de coragem, de atitude, de empreendedorismo, de visão sobre os melhores parâmetros da educação, de desejo de inovar.

Nas 11 escolas, os estudantes são felizes. Faço duas perguntas para a reflexão: será que nossos alunos estão felizes com o modelo de ensino? Será que eles estão realmente aprendendo algo significativo, em nossas instituições?

Já faz alguns meses que assisti a um vídeo do TEDx realizado na Universidade de Nevada (http://www.youtube.com/watch?v=aEqmNI9APew).  O jovem Logan LaPlante apresentou uma bela reflexão sobre o que ele chama de Hackscholing. LaPlante defende que as escolas precisam fazer com que seus alunos sejam felizes. Eis um tema que instiga a reflexão. Por exemplo, será que escolas demasiadamente convencionais farão com que nossos alunos, cada vez mais digitais e que vivem interagindo nas redes sociais sejam felizes?

Na instituição em que atualmente trabalho, queremos fazer os nossos alunos felizes. Há vários Douglas, que são docentes ou que são colaboradores, que estão entusiasmados com as inovações acadêmicas. Tenho a convicção de que estamos promovendo um processo de mudança de atitude dos professores e que estamos instigando os alunos a mudarem a cultura passiva diante do aprendizado. Muitos compartilham do mesmo sonho. Eu gostaria de tornar a instituição em que trabalho, em um lugar incrível.  

Para tornar a escola incrível estamos olhando para as melhores referências e implementando processos de inovação acadêmica. Estamos também investindo nas pessoas (professores e colaboradores) e multiplicando o nosso aprendizado. Somos uma IES quer ensinar e aprender.

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